Centro Hospitalar Universitário de São João vacina gratuitamente contra HPV mulheres com alto risco de cancro

30/06/22
Centro Hospitalar Universitário de São João vacina gratuitamente contra HPV mulheres com alto risco de cancro

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, passará a administrar gratuitamente a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) a mulheres com alto risco para cancro não abrangidas pelo Plano Nacional de Vacinação, assegura o Dr. Pedro Baptista, o responsável da Unidade de Trato Genital Inferior.

Em comunicado, o Dr. Pedro Baptista, do CHUSJ, frisou que os critérios deste programa são “muito estritos” e que as características das mulheres abrangidas são “muito especificas”. “Vamos vacinar mulheres com maior risco de terem novamente lesão ou de haver progressão da lesão mais grave”, referiu.

A referenciação ocorre através dos rastreios de HPV feitos pelos centros de saúde, seguindo-se posteriormente o encaminhamento para o hospital de residência. Nesse sentido, “não se coloca a hipótese de inscrição no programa ou ‘vou para aquele hospital porque pagam a vacina’, nem este programa tem efeitos retroativos. É um início e um enorme primeiro passo que esperemos que inspire outras instituições”, salientou o clínico.

Em causa estão lesões intraepiteliais de alto grau especialmente no colo do útero, mas também em localizações como vulva, vagina, região perianal e ânus. O CHUSJ decidiu suportar os custos desta vacina pela convicção de que esta medida acarreta “um retorno positivo muito grande” na redução do risco de novas lesões, do número de tratamentos e procedimentos repetidos e do número de testes positivos no seguimento, testes que “acarretam uma ansiedade significativa”, referiu o responsável.

“A longo prazo, haverá a redução potencial do número de cancros do colo do útero. E, embora seja difícil de medir, também se percebe as vantagens de diminuir o número de procedimentos nesta área. Um tratamento do colo do útero aumenta o risco de um parto pré-termo. Se com um tratamento aumentamos, com dois aumentamos muitíssimo. Especialmente em mulheres jovens, se pudermos mexer o mínimo possível, estamos a melhorar o seu futuro obstétrico”, descreveu.

O responsável pela Unidade de Trato Genital Inferior recordou que, em Portugal, há a vantagem de cerca de 90 % das raparigas nascidas depois de 1992 estarem já vacinadas. Esse grupo não será revacinado no âmbito desta iniciativa do CHUSJ, a menos que seja detetada alguma mulher que “escapou” à vacina por algum motivo, como não morar, nessa altura, no país, por exemplo.

“Nas mulheres jovens, estamos a diminuir muito o risco destas virem a ter um parto pré-termo. E, no geral, estamos a diminuir o risco de poderem vir a ter um cancro do colo do útero. A mulher, mesmo tratada com sucesso e que passe para tratamentos de rotina, a longo prazo, quando olhamos para as curvas, tem um risco [de recidiva da doença] superior ao da população em geral”, sublinhou o Dr. Pedro Baptista.

“Tenho a esperança que isto seja replicado por muitas outras instituições. Há vantagem na vacina em todas as mulheres, mas este é o grupo que mais vantagem tem, sobretudo quem está fora do plano nacional de vacinação. Isto não é gastar dinheiro, é poupar dinheiro”, concluiu.

A iniciativa entrou em vigor ontem, 29 de junho, e a estimativa do CHUSJ é a de vacinar “à volta de 100 mulheres por ano” com uma inoculação de três doses que, quando não comparticipada, custa mais de 400 euros.

Partilhar

Publicações